PORTOJOIA: 25 anos a apoiar as empresas do setor 04.09.2014
História da feira confunde-se com a da joalharia, ourivesaria e relojoaria.


Aproveitar os indicadores económicos positivos, que mostram algum contraciclo face à economia nacional, e impulsionar globalmente o setor para antecipar francamente a retoma é o espírito que envolve a próxima edição da PortoJoia - Feira de Joalharia, Ourivesaria e Relojoaria, a decorrer na EXPONOR de 25 a 28 de setembro.

O evento vai celebrar as "bodas de prata", entre 25 e 28 de setembro, na Exponor, e valorizar a história de uma feira que se confunde com a de muitas das empresas nacionais. "Foram as empresas as protagonistas da criação da PortoJoia, quando, com a sua visão estratégica, se uniram e decidiram organizar uma feira, em 1989”, recorda Amélia Monteiro, diretora da feira, sublinhando que “era o setor a sentir a necessidade de criar um momento de encontro, de lançamento de designers, marcas, tendências e coleções e de venda, objetivamente direcionado aos profissionais".

A afirmação de um setor com relevante peso na economia nacional foi sendo reforçado edição após edição e uma vertente muito importante foi a de se assumir, desde cedo, como um evento de vanguarda na aproximação dos formandos ao mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, de revelação de novos talentos, representando um elo de ligação entre o meio estudantil e o meio empresarial. É por isso de destacar o lançamento do concurso PortoJoia Design, em 2004, com o objetivo de distinguir a originalidade, a inovação e o design de peças de joalharia e ourivesaria criadas por estudantes e formandos de design de jóias, de produto e de cursos de ourivesaria. Com a celebração dos 25 anos, que acontece no final de setembro, a feira mostra a sua vitalidade e quer mostrar que "este é o ano da mudança" na forma de promover o setor, de modo a responder a um mercado em constante evolução e adaptar-se às necessidades crescentes da indústria.

Tal mudança passa por "estimular a criatividade e as relações comerciais", avança Amélia Monteiro. Como explica a diretora, o objetivo esteve na base de algumas das iniciativas de comemoração das bodas de prata da PortoJoia. Desde logo, o desafio lançado aos fabricantes para produzirem peças alusivas à efeméride. Mas também com a iniciativa "PortoJoia sai à rua" que, há alguns meses, incluiu parcerias com a Associação de Comerciantes do Porto e a Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal, assentando num repto às empresas para se empenharem em campanhas promocionais temáticas nas sucessivas datas festivas. A medida visou incentivar à compra de artigos deste setor, pelo que teve em conta o efetivo envolvimento dos diversos profissionais de toda a cadeia de compra. Passou, igualmente, pela sensibilização pública para a qualidade dos produtos nacionais, tanto junto dos consumidores portugueses como dos inúmeros turistas que nos visitam e, ainda, dos que a Turismo do Porto e Norte contacta no estrangeiro. Refira-se que a jóia portuguesa é percecionada como um produto de alta qualidade, tradição e design pelos profissionais.

No mesmo sentido, e para abrir cada vez mais às portas do exterior, diversificando os mercados às empresas nacionais, a nova edição da feira dá especial atenção à lusofonia, que será a grande plataforma do setor para a troca comercial com países de expressão portuguesa. Dentro dessa orientação, foram convidados compradores de Angola a visitarem a feira, de modo a aprofundar relações comerciais. Paralelamente, a PortoJoia tem-se aplicado na dinamização de uma plataforma de networking, de afirmação e valorização das marcas portuguesas, o que passa pela inovação dos próprios produtos.

Por sua vez, continua a aposta no “Prémio PortoJoia Design”, destinado a jovens criadores, estando também programado o “Trends by PortoJoia”, espaço setorizado dedicado à joalharia de autor e aos designers. As novidades de aniversário incluem ainda iniciativa “Photo by PortoJoia”, que juntará a moda e a ourivesaria num estúdio dedicado a sessões fotográficas e manequins profissionais.

Mercado português avaliado em 1.000 milhões de euros


A propósito do atual momento da economia e para obter um retrato do setor que facilite às empresas a adaptação bem-sucedida às condicionantes do mercado, a PortoJoia promoveu um estudo setorial, em conjunto com a consultora Sigma. Das conclusões, destacam-se o crescimento do emprego na relojoaria, ao contrário da ourivesaria e da joalharia, a quebra da indústria e o aumento do comércio e do volume global de transações, em contraciclo com a economia portuguesa.

Regista-se que o comércio de retalho especializado na ourivesaria e joalharia cresceu a partir de 2008 a uma média anual de 18,9% (27,3% na região Norte, 17,5% no Alentejo, 16,4% em Lisboa, 6,7% no Centro e 4% no Algarve), num contraste evidente com a generalidade da economia nacional, tendência essa que reflete a subida do preço do ouro em tempos de crise e o comércio relativo ao ouro usado. Segundo dados de 2012 (INE), o volume de negócios terá atingido em 2012 os mil milhões de euros.

A título de exemplo, a região Norte agrega 44% do total das empresas da cadeia de valor, parcela que ascende a 80% quando em causa está apenas a componente industrial.

Ao contrário do comércio, o fabrico de joalharia e ourivesaria registou uma contração muito significativa no período 2004/2012, com uma queda de 43% no emprego e de 38% no VAB (com pequena recuperação entre 2009 e 2010). Já o fabrico de relojoaria (incluindo componentes) afirma-se claramente como emergente em Portugal e revela um crescimento de 233% naquele período, associado a aumentos de 324% do VAB e de 176% do emprego. Essa dinâmica é atribuída, em grande medida, ao investimento direto estrangeiro por parte de multinacionais de origem suíça, francesa e alemã, ao aumento do nível de atividade de empresas existentes a produzir peças em regime de subcontratação e a trabalhar em processos de montagem de caixas de relógio e, ainda, a fenómenos recentes de empreendedorismo.

Por outro lado, a análise das vendas ao exterior constata França, Espanha, EUA, Suíça, Angola e Itália como países responsáveis por 50% das exportações portuguesas do setor, que não foram além dos 150 milhões de euros em 2012 (112 milhões em relógios e componentes e 37 milhões em artefactos de joalharia, relojoaria e componentes). Há ainda uma forte e crescente procura do mercado de Hong Kong, o que lhe confere grande potencial para as exportações nacionais, num grupo onde pontificam também Chipre, Angola, Japão e França.

Todos estes números referidos pelo estudo evidenciam um bom potencial para o aumento das exportações portuguesas, sobretudo para a Ásia e Médio Oriente, como forma de contrariar o panorama menos otimista que se vive a nível nacional.

Confiante na dinamização do setor, a organização da Portojoia já se encontra a trabalhar no sentido de desenvolver uma nova proposta de valor, que se traduz num novo posicionamento para a feira, indo ao encontro das expetativas do mercado.

Fonte: MS IMPACTO | EXPONOR
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